WTCR: Vila Real será palco privilegiado para a nova competição

Vila Real tem sido  um dos palcos de excelência dos turismos nos últimos 3 anos. A aposta no WTCC, que no início pareceu demasiado arriscada, revelou-se acertada a todos os níveis fazendo de Vila Real um dos destinos preferidos para a caravana do mundial de turismos. A exigência da pista, as excelentes condições proporcionadas às equipas, a meteorologia fantástica (às vezes até demais) e acima de tudo a paixão dos fãs são os ingredientes principais que fazem deste traçado, um dos melhores citadinos do mundo.

Mas a realidade do WTCC não era a ideal e o campeonato começava a sentir a necessidade de se reinventar. A adopção da regulamentação TC1, tornou os carros mais rápidos, mais agressivos, mais desafiantes e… mais caros. De tal forma que várias equipas habituais no WTCC abandonaram a competição para se focarem num novo campeonato que começou a dar nas vistas em 2015, TCR Internacional.

O WTCC manteve o rumo delineado e pudemos ver o domínio avassalador de Jose Maria Lopez  e da Citroen, enquanto equipas como  Honda, Lada e os privados Chevrolet tentavam, sem sucesso, encontrar soluções para desafiar os franceses. A Lada cresceu lentamente, a Honda fez de tudo para se chegar aos C-Elysée,  e em 2016 um novo nome surgiu. A Volvo foi a única marca a interessar-se por esta fórmula de competição e resolveu entrar na corrida contra a Citroen. No entanto, o final de 2016 trouxe a notícia que iria definir o destino do WTCC: A Citroen estava farta de vencer sem verdadeira concorrência e saiu do campeonato, apostando as fichas todas no WRC. A Lada seguiu o exemplo e também abandonou uma competição onde foram poucas vezes verdadeiramente competitivos.

 

start race 2 during the 2016 FIA WTCC World Touring Car Championship race of Portugal, Vila Real from July 24 to 26 – Photo Alexandre Guillaumot / DPPI

Este cenário adensou as dúvidas sobre um campeonato do mundo que apresentava custos proibitivos para privados, não convencia asa marcas e tinha uma grelha de apenas 16 carros. No final de 2017, depois do título da Volvo, a única marca que conquistou o titulo para além da Citroen, com os regulamentos TC1, chegou a notícia que o WTCC teria de tomar outro rumo. E esse rumo passaria pelo TCR.

 

O TCR Internacional, uma versão mais barata do WTCC, foi criado desde início para ser uma solução para as equipas e pilotos sem orçamento para o mundial de turismos (regressando aos tempos pré-TC1 do mundial de turismos). O conceito foi tão bem sucedido que a regulamentação implementada no campeonato passou a ser utilizada em grande parte dos campeonatos nacionais de turismos, sendo este um dos grandes trunfos da WSC, detentora dos direitos da regulamentação TCR. O sucesso era claro e a quantidade de carros elegíveis não parou de aumentar.

Muitos fãs acreditavam que o TCR era mais interessante do que o WTCC, graças a maior competitividade e incerteza. A fusão entre ambas seria o cenário ideal, mas os responsáveis pelo WTCC (Francois Ribeiro -Eurosport Events) e pelo TCR (Marcelo Lotti – WSC) não eram propriamente os melhores amigos, e achou-se que o acordo não seria possível. Felizmente, ambas as partes encontraram uma plataforma de entendimento e foi assinado um contrato de dois anos, que dará tempo à FIA para decidir o que fazer com o campeonato de turismos no futuro.

Deixamos de ter um campeonato do mundo e passamos a ter uma Taça do mundo. A regulamentação TCR não permite equipas de fábrica, e assim não é possivel ter um campeonato do mundo, mas a presença das marcas será grande, com equipas privadas a terem o forte apoio dos fabricantes, que olham para esta competição como uma forma relativamente barata e eficiente de promover os seus carros de estrada de gama média. Um TCR custa no máximo 129 mil euros, enquanto um TC1 custava 450mil… sem motor! O custo de uma época no WTCC para um piloto era de 1 milhão de euros (para um privado nos carros mais baratos) enquanto uma época no WTCR deverá custar à volta de 650 mil, para competir ao mais alto nível.

O ETCC que fez parte do cartaz de Vila Real nos últimos dois anos, deixou de existir e no seu lugar surge uma competição chamada TCR Europe, sob o controlo dos donos do TCR.

Desta mistura entre dois campeonatos, temos os carros e as regras do TCR de um lado (com o Balance of Performance que equipara os andamentos dos carros a ser controlado pela FIA) e a máquina de promoção e divulgação do WTCC do outro. Claro que este último ponto encareceu a competição mas permite também uma plataforma global de comunicação já com provas dadas.

 

O calendário para este ano de estreia já foi anunciado e Vila Real está, por motivos óbvios, na lista de circuitos escolhidos. Quanto à grelha de carros, a organização tinha planeado um máximo de 26 carros, com mais 2 vagas por corrida a serem preenchidas por pilotos de cada nação (preferencialmente) e foi recentemente anunciado que as vagas foram todas preenchidas. Há uma lista de possíveis nomes que circula pela internet, que não deverá fugir muito a realidade que irá sendo confirmada.

Calendário:

7-8 Abril: Marraquexe
28-29 de Abril: Hungaroring
10-12 de Maio: Nurburgring Nordschleife
19-21 de Maio: Zandvoort
23-24 de junho: Vila Real
4-5 de Agosto:Termas de Rio Hondo
29-30 de Setembro: Ningbo
27-28 de Outubro: Suzuka
15-18 de Novembro: Macau

 

Possível lista de inscritos:

 

O fim-de-semana de corridas passa a ter três corridas:

No sábado teremos uma qualificação de 30 minutos ao que se segue a Corrida 1 (sistema de pontuação para o top 10: 27-20-17-14-12-10-8-6-4-2);

No domingo teremos mais uma qualificação (com o mesmo formato que tínhamos no WTCC), seguida da Corrida 2 (Usando o resultado da Q2 para inverter a grelha. Sistema de pontuação top 10: 25-18-15-12-10-8-6-4-2-1) e da Corrida 3 ( Usando a ordem obtida na Q3. Sistema de pontuação do top 10: 30-23-19-16-13-10-7-4-2-1)

 

O que são os TCR?

As máquinas TCR são carros de tracção dianteira. de 4 ou 5 portas, com motores de cilindrada entre os 1750-2000cc, podendo atingir a potência máxima de 350 Cv. Existem duas dezenas de campeonatos a usar esta regulamentação por todo o mundo e mais de 600 carros vendidos das mais diversas marcas (Alfa Romeo, Audi, Ford, Honda, Hyundai, KIA, LADA, Opel, Peugeot, Renault, SEAT, Subaru and Volkswagen). Os grandes dominadores até agora têm sido os VW Golf que venceram os últimos campeonatos do TCR Internacional, mas para 2018 há várias novidades com a entrada em cena da Hyundai, de quem muito se espera, a nova máquina da Honda qeu deverá ser das mais rápidas em pista, sem esquecer os Seat, Audi, e Alfa Romeo que já têm muitos quilómetros percorridos e a estreia do Peugeot 308 Racing Cup. O BoP trata de colocar todos os carros a um nível semelhante pelo que o grande factor diferenciador deverá ser quase sempre o piloto (embora a máquina tenha um papel determinante).

 

É provavelmente o melhor de dois mundos, e o regresso aos turismos mais puros, onde as lutas renhidas e os toques são o prato principal. Em junho teremos hipótese de ver essas lutas ao vivo, no fantástico Circuito Internacional de Vila Real.

 

 

Fábio Mendes

Chicane Motores para o CIVR

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